Thursday, March 20, 2008

Bom dia para ti também!!


Personagem dos meus dias.

Cada vez que estamos juntas e nos acontece alguma peripécia, que de acordo contigo são sinónimo de Filipa - Tu atraís - dizes-me - qualquer dia tens de escrever o livro da tua vida!

Que seria uma comédia não temos dúvida, mas seria uma obra cheia de estranhos recantos mal iluminados...

Sinto a porta do meu gabinete que se abre fortemente logo pela manhã sem aviso prévio!

- Olá, bom dia, tudo bem? - és rápido e quando os meus olhos ensonados finalmente te conseguem focar lá em muito em cima, o meu cérebro ainda não pensou em nada de inteligente para te dizer...

- Bom dia para ti também! - mas no fundo no fundo sempre arranco mais umas palavrinhas e fico a saber que estás cheio de sono ou que já fizes-te um milhão de coisas ainda aquela manhã.

És sem dúvida uma das personagens do meu livro, caracterizada pelo teu blusão almofadado sem o qual nunca te vi (independentemente da temperatura) e pelo modo repentino com que apreces-te no meu mundo, vindo do nada...

Ainda me lembro daquele dia em que me anunciam que temos reunião marcada para as 10h da manhã. Comecei a falar contigo como se te conhce-se desde sempre, sem cerimónias ou palavras formais.

Tenho reunido, inquérito a inquérito de cada manhã os teus dados biográficos... não sei de onde vens mas sei dois sítios onde já estives-te, sei que a tua irmã é advogada e sei para onde tencionas ir. Faço a recolha completa e os muitos dados nada me dizem, não encaixam numa jovem existência, numa vida regrada.... chego a pensar que sejas mais velho do que o teu jovem rosto transmite.



Mas não... és curiosamente ainda mais novo do que eu imaginava... naquela noite no bairro alto em que começamos improvisadamente a discutir os sistemas de voto acabas por confessar: Era o mais novo antes de tu apareceres!



A minha juventude não tem passado despercebida... no meio dos jovens sou ainda a menina, a pequenina que muitos não vêem como a Dra. e muito timidamente se atrevem a perguntar - a menina quantos anos tem?

- ah pois, parece muito jovem, podia ter uns 16! Tem uma vida toda pela frente!

Mas voltemos a ti, ainda não consegui perceber quem és e porque ali estás. Todas gostamos de ti, todos te reconhecem as múltiplas capacidades que me impedem de saber quem és tu e o que fazes.

Quando apareces apenas da parte da tarde toda a gente já perguntou por ti, se alguém te viu. Sei que quando não te vejo é porque não estás, na verdade o teu ritual de bater de porta em porta a confirmar se todos estão presentes e de boa saúde não se altera. Agora até bolinhos resolves oferecer.

Espero vir a descobrir mais, até lá bom dia sr. misterioso, inteligente e sonhador. Partiremos em breve para o desconhecido mas esperemos que o trabalho realizado nunca seja esquecido.

Saturday, March 8, 2008

Flug nach Lissabon


Desperto pela manhã com a habitual melodia que uns dias me faz virar para outro lado e outros me faz cantar para acordar a voz. Já devia estar habituada ao despertar matinal, ainda assim o acumular de funções e tarefas faz-me sempre desejar reduzir as horas de sono, para ganhar tempo.
É hora de partir, vejo a cidade que desperta e o sol já vai alto. Confesso o privilégio de atravessar a cidade, passar pelos jardins que encantam os turistas, o meu mosteiro imponente que será para sempre meu... O prosseguir até ao terreiro que agora chamam praça,caracterizado pelas pessoas que se atravessam apressadas pela frente.
Uns dias vejo outros apenas olho, embora consciente do pecado que representa deixar que esta beleza me passe ao lado... Mas o mais bonito senhores: é o pôr do sol na imagem daquela ponte, que também ela já mudou de nome, onde o rio platinado e o céu incandescente se fundem.
Bela cidade, sim senhor.
Contudo não sou uma visitante, parto para o local onde novos desafios me esperam a todo o momento. O facto de ser uma das primeiras a chegar dá-me algum avanço, mas entre a agenda das reuniões e os trabalhos para ontem cruzo-me com o mundo.
Não é o mundo das viagens, não é o mundo da competição ao da arrogância, é o mundo daqueles que tratando-me pelo nome me pedem com gentileza um apoio para sua causa.
Diariamente chegam-me relatos sub-humanos mas também gritos de esperança.
Dizer que nada posso fazer perde o sabor amargo quando me respondem que não faz mal, pelo menos respondi, não deixei essa pessoa sem resposta. Enviam-me fotografias e pedem... talvez para o ano...
Acabo por nutrir especial carinho por alguns mas não sou eu que decido apesar das indicações que transmito.
Há mais que fazer, muitos documentos e burocracia se impõem para que algo se faça por estas pessoas...
Olho para o relógio e mais uma vez estou em cima da hora, o DI tem um ritmo que o resto dos departamentos tem dificuldade em acompanhar...
Por hoje acabou aqui....
este mundo!
É hora de partir e iniciar o meu dia tardio, daquele da vida de morcego, novos desafios se avizinham. A semana tranquila ou os tempos livres previstos são me roubados. Tiram-me a quarta-feira e dizem que terei de falar 10 minutos sobre aquele tema. Mas.... não há mas nem meio mas, ou fazes assim ou estás fora do jogo!
Reconheço alguns meios sorrisos de compaixão, pela jovem, pela única senhora no meio do grupo.
EU CONSIGO grito para mim. Convenço-me e sei que serei capaz. Melhor ou pior que os outros, faço o mesmo que eles, mas de SALTOS ALTOS!

Saturday, March 1, 2008

Viagem


Viagem (Do lat. viatìcu-, «provisão para o caminho», pelo prov. viatge,
«id.»)
substantivo feminino Significa acto de ir de um lugar a outro mais
ou menos distante; jornada; percurso extenso; descrição do que se viu ou
aconteceu durante um passeio ou jornada.

Lugar
longínquo...
nada na definição de viagem indica algo de físico...
Então e as outras viagens?
Aquelas que fazemos enquanto esperamos na fila, que o carro da frente ande?

E aquela viagem, que na realidade pode não passar de uma distância de 10 minutos a pé, mas te separa do edificio onde entravas diáriamente de livros na mão, para aquele onde entras ofegante, de chaves do carro na mão ouvindo o paque dos saltos altos a cada passo apressado corredor acima?

Que viagem te conduziu de um ou outro?

Se todas as viagens, relatos aqui contidos, com carinho narradas me fizeram crescer
elas me conduziram irremediavelmente aquilo que sou hoje.

Se não vou partir amanhã é porque algo me prende à terra que tantas histórias encerra,
aos recantos que escondem os meus segredos,
a vontade de criar raízes numa terra que me permite um transplante sistemático.

Os fins justificam os meios. A ambição é grande mas nem tudo são fins, há que percorrer os meios e vive-los como fins em si próprios. Essa é a arte de saber viver!

Viagens de Filipa, diárias, aventureiras e alegres.
Perto ou longe, um relato que não merece ser interrompido!