Monday, December 31, 2007

Fechar de um ciclo


"Todas as viagens têm que acabar e nunca há o tempo que ao tempo pedimos e que do tempo esperamos"
de João Bénard da Costa

Esta é o encerrar de um ano de viagens e aventuras, uma ano a viajar mas cada viagem soube a pouco.

Fica encerrada na memória aquela noite na praia, a festa improvisada, o chá em Bled, a grappa com o professor, o meu primeiro baile, o passeio de gôndola, a minha familia inglesa, aquele brinde, as brincadeiras com "os manos", o Spritz no meu bar preferido, o roteiro dos vinhos, a massada de bacalhau que cozinhámos para a malta, o frio e os cachecois, a noite na estação, o véu na Mesquita... aquele beijo, aquela dança, aquela despedida... o eterno: até um dia.

Todas as viagens foram com sentido.
"A viagem com sentido é a viagem que parte da nossa pequenez à descoberta da extensão intensa do mundo.
Deste género de viajante disse Rimbaud que é aquele que parte para partir. Vai sem pacote turístico pré-formatado, sem consulta prévia dos trajectos e dos hotéis na Internet, sem se importar com a funcionalidade do cartão de crédito nos poisos onde for bater. É um viajante com desejo da procura do outro: contempla a etnodiversidade com a mesma atitude com que o biólogo sabe que o planeta é esmagadoramente complexo e variado. E, num resumo às vezes surpreendente desse contacto com o radicalmente diferente, dá por si a concluir que afinal as gentes são muito parecidas por todo o lado... "
por Luís Fernandes

Alterei o meu modo de viajar e sinto que cresci, não envelheci, cresci! Como diz Montesquieu: "As viagens dão uma grande abertura à mente: saímos do círculo de preconceitos do próprio país ...."

Neste momento não tenho mais nenhuma passagem na manga, muitos projectos talvez e uma infindável vontade de partir, provavelmente porque sinto que "Toda a viagem é um combate contra o tédio, e todo o regresso uma rendição".

Quero fugir desse tédio, dar-me ao mundo mas sem nunca cair no erro anunciado por René Descartes: "Quando gastamos tempo demais a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nosso próprio país."

Ainda assim, todas as noites quando me deito, fecho os olhos e sonho ainda acordada, sinto um impulso que se eleva...
EU QUERO VIAJAR,
EU QUERO NOVAS DESCOBERTAS,
QUERO FAZER MAIS E MELHOR

Um novo ano começa e caminhamos melhor com os olhos postos em frente do que olhando para trás!

Sunday, December 30, 2007

Very last trip

Para acabar o ano...
hoje concretizei uma viagem que estava prometida à 10 anos!

Não fui a terra longínquas... ponte Vasco da Gama até Alcochete para beber um café.

Porque conta como viagem?

Porque foi na mota

que desde os 10 anos sonho em viajar!

Do I know you?

Na noite de Sábado preparamo-nos para uma festa… Diz que é uma espécie de inauguração…
O que quer isso dizer? Bem, quando alguém muda de casa faz a festa da inauguração! Neste caso estamos a falar de pequenos grupos de amigos que resolvem alugar a casa em conjunto, normalmente entre 2 e 4 pessoas, compram as coisas dentro das suas posses e acabam por ter apartamentos bastante simpáticos.
A regra diz que cada um deve levar uma bebida e um pequeno presente embrulhado.
A bebida, claro está, é depositada na cozinha para todos se servirem, o presente numa caixa de cartão.
Somos introduzidas à casa (antes disso estivéramos um grupo de 4 pessoas na casa da Amelie onde acabamos com uma garrafa de rosé e bebemos umas miniaturas de vodka com morango, hum…), vamos para sala e começam as conversas…
No meu grupo todos são obrigados a falar em inglês, claro que existem conversas paralelas em alemão das quais eu tento tirar o tema principal.
A pergunta que se faz sempre é: “Da casa, quem é que conheces? Vieste com quem?” Na verdade cada um é livre de levar mais amigos (desde que levem a garrafa e o presente). O resultado é que ninguém conhece ninguém e ao fim da noite tiveste a oportunidade de ter conhecido uma data de pessoas novas e ter conversas estimulantes, sobretudo se és estrangeira…
Houve mesmo um rapaz de Berlim, que curioso pergunta: “Porque neste grupo falam em inglês?”
O seu inglês era irrepreensível, ainda falamos por algum tempo, tinha uma história magnifica! Conhecia imensas pessoas e culturas. Como sabem o sistema de ensino alemão é diferente do português, quando acabam o … chamemos-lhe secundário, podem optar entre seguir para o …. Secundário? , ou fazer trabalho social. Ele esteve a trabalhar num hospital onde conheceu um chinês que estava doente, ficaram amigos e mais tarde foi passar três meses para uma aldeola chinesa, em casa da família do seu amigo. Aprendeu algumas frases e voltou com uma história para a vida. Entretanto mudou-se para Berlim e está a acabar a licenciatura, visto que retomou os estudos mais tarde.
No final da noite, cada um tirou aleatoriamente um presente da caixa e ficamos todos com uma bela recordação da festa, o álcool já fazia efeito no cérebro e a minha garganta rouca ainda deu muito no karaoke onde tive de começar com um dueto em alemão!!
A noite foi inesquecível. Não tirei nenhuma foto embora saiba que existam muitas fotos e vídeos!
Dentro de cinco horas tenho o meu comboio, é hora de voltar a casa. A jornada na Alemanha está no fim...
Muito ficou por contar desta semana, muitas aventuras... mas aqui ficou um cheirinho para ler e recordar!

Saturday, December 29, 2007

Shopping time!

As nossas vidas nem sempre nos deixam a disponibilidade horária que gostariamos....

Também eu tenho essa consciência no que respeita à minha agenda aqui em Portugal, por isso a minha "sorellina" nas suas idas e vindas dos trabalhos universitários nem sempre tinha o dia livre, pelo que me deixou entregue a uma grande amiga e fã de shopping: a doce Amelie.

Com Amelie passei também bastante tempo, compras, bolachinhas, last party...
Ainda me lembro de a ver chegar num dia chuvoso a Trieste com o namorado para visitar a nossa amiga comum.

Graças a ela fiquei a conhecer o centro comercial da cidade e as principais ruas de compras além do mercado de Natal local.
O tempo que passsamos juntas foi bastante divertido, creio que para ambas embora ela se queixasse que o seu inglês estava demasiado emperrado, nada que constitua um problema!
Foi mais uma daquelas pessoas que me fez sentir em casa.
Faz-me questionar se eu cá teria amigos capazes de acolher tão bem outros meus amigos vindos de fora....

Na verdade, à parte de uns poucos souvenirs, nada comprei, contudo fiquei a conhecer a diversidade alemã. Nada de demasiado chocante, afinal é UE, mas não é exactamente o mesmo que em Portugal! Sobretudo os mercados de que eu tanto falo!

Good time ends.

Is time for the very last party..... hum....
surprise!

Wednesday, December 26, 2007

Bolachinhas de manteiga

Mãos à obra!
Porque há coisas que sabem melhor em conjunto!

Cozinhar à alemã! Uma forma de amor...

Wednesday, December 19, 2007

Glühwein? Aber Ja!


Glühwein é uma bebida tradicional alemã, muito consumida pela época do Natal e própria para o frio, porque consiste em vinho quente!

Este vinho quente não é um qualquer! Enriquecido com aromas de frutos e /ou especiarias e por vezes calda de açúcar.

Nos mercados de Natal é vendido em copinhos pelos quais pagamos uma taxa que reavemos ao devolve-lo, o que eu nem sempre fiz por se tratarem de belas canecas alusivas.

O aroma é delicioso, o calor, o sabor... indescritível a sensação provocado pelo aroma do vinho que chega às minhas narinas e pelo calor que choca com as minhas mãos geladas.

Trouxe material meninos! Podemos ter Glühwein em Lisboa!


Nas universidades, os grupos de estudantes organizam vendas deste vinho quente para angariar dinheiro. Compram pacotes de 1 litro já preparado (ao qual juntamos cubos de laranja). Em grandes recipientes, enchemos o copo de plástico com a concha de sopa, ao estilo do ponche.

Claro que de vez em quando lá se vai provando e aprovando ou somos mesmos obrigados a acabar com o resto...

As vendas começam pela manhã (sim álcool logo pela matina antes de ir para as aulas) mas as conferências também são bons momentos para a sua venda!

Eu também vendi! E confesso....

mea culpa:

uma noite já estava bem quentinha :P

Monday, December 17, 2007

Nikolaus, ou São Nicolau


São Nicolau, bispo de Mira, proveniente de Petara, na Ásia Menor, nasceu na segunda metade do século III, falecendo no dia 6 de Dezembro de 342.

Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas.

Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. E é o velhinho simpático que inspirou a figura do Pai Natal por nós conhecido (vestidinho de vermelho pela Coca-cola).

A sua transformação em símbolo natalicio aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo inteiro.

Contudo, em Portugal só nos lembramos dele mesmo para as prendinhas da noite de 24...

Na Alemanha o Nikolaus é verdadeiramente festejado no dia 6 de Dezembro! Não com presentes caros mas com o dito cujo em chocolate e as suas moedas de ouro :)

Assim sendo, na manhã de dia 6 ao abrir a porta do quarto de manhã encontrei a minha bota, SIM A MINHA BOTA, aquela de ir à rua, encostada contendo um pai natal e uma mão cheia d moedas de chocolate!! (Danke meine liebe Freundin Nora)

À noite, quando regressei outro me esperava, também ele na ombreira da porta, deixado pelo meu vizinho o quarto ao lado.


Pode ser apenas um chocolate, mas na verdade foi um dos meus melhores presentes de sempre!

Feliz São Nicolau a todos!!

E lembrem-se a felicidade não está nas coisas, mas em nós e nos pequenos gestos que aquecem os nossos corações!

Monday, December 10, 2007

The perfect dinner


Na terça-feira foi noite de competição....

Inspirados num programa de televisão alemão, um grupo de amigos encontra-se de 15 em 15 dias.
Objectivo? Um jantar perfeito!

Luzes, música, ambiente, requinte...

Uma noite em Bangkok

No final, num envelope secreto cada um deposita o seu voto de 1 a 10!
Depois de todos terem preparado o seu jantar perfeito saberemos quem é o vencedor!


Uma noite perfeita entre amigos,
uma festa, uma surpresa a cada dia de 15 dias, discute-se técnicas e o que cozinhará a "próxima vitima".
Adoro o ambiente, sapatos à porta, a cama faz de banco e o calor humano contrasta com o frio do outro lado da janela.

Aqui fica a sugestão!

Thursday, December 6, 2007

Reencontro


Os meus olhos correm o tapete em busca da mala, não vejo a hora de sair dali e confirmar que aquela amiga especial (que a distância teima em afastar) me espera.

Vejo a minha azulinha mas alguém a tira dali antes de chegar até mim. Nunca fui de prestar atenção e até sou uma pessoa tímida, mas...

-oh desculpe lá: essa mala é minha!

E agarro na etiqueta onde confirmo o meu nome e digo: tá a ver???

Só naquele momento, quando o homem me pedia imensas desculpas e dizia que tinha uma mala igual à minha (o que era parcialmente verdade, visto que a outra tinha 4 rodas e era maior) me passou pela cabeça o meu acto. Que cara faria se a mala fosse de facto a dele?

Saio com os meus pertences e....

eis que alguém corre para mim e me abraça calorosamente: sorelina!!

Abraço longo e prolongado, um calendário do advento, apanhamos o metro guiadas por uma sua amiga com quem eu já me cruzara quando fazia Erasmus em Viterbo.

Chegamos sozinhas no caótico centro de Munique que pelo seu encantado mercado de Natal, se encontrava invadida por italianos.

É magia, é Natal, é tempo de reencontro.

Corríamos no meio da multidão, perdidas e mala atrás.

Vamos ficar a dormir em Munique, procuramos o namorado de uma amiga da minha amiga, lol, que se voluntariou para nos acolher na sua casa, num quarto que se encontrava livre desde o dia anterior.

Às 23 horas estávamos na cama, o cansaço era grande.

Antes disso, todas falando em italiano, 4 meninas de diferentes países, bebíamos um chá quente num restaurante português!

Adieu, je retournerai


A única manhã livre foi muito curta...

Do Parlamento à Gran Place lá fomos as 4 meninas à descoberta de Bruxelas, cidade que as duas Filipas já conheciam bem.

Do Palácio Real ao centro fomos tirando fotografias e comprando chocolates.

No centro, onde encontramos outro grupo do nosso grupo, constroem um presépio e uma árvore de Natal.

Mais uma tarde de trabalho, noite de despedida em que nos perdemos uns dos outros, desenferrujo o meu francês, e procuramos o tasco português.

No quarto, eu e a minha colega morríamos a rir ao recordar as cenas e frases caricatas destes dias magníficos.

Agora faltava a NATO e daí directamente para o aeroporto.


Mais um adeus, uma tristeza que se torna no meu fado...


Mas...

Na quarta de manhã, na Gran-place lá fui eu tocar no cristo dourado, o qual, segundo reza a história, além de conceder um desejo à nossa escolha nos assegura que voltaremos a Bruxelas!

Esta foi a terceira vez, pelo que não tenho motivos de queixa :p

Intensivo, Interesante, Apaixonante


Foram quatro intensivos dias da minha vida, contudo, estes passaram em menos de nada.

O grupo com quem fui tinha uma particularidade muito especial: a sua heterogeneidade, pessoas de diferentes áreas e idades.

O despertar cedo era feito sem sacrifícios e pleno de energia, todos os dias sabíamos que nos esperava uma agenda preenchida, debates sobre temas prementes da União Europeia e das Relações Internacionais.

Cada orador era melhor que outro, do Irão à globalização, do Tratado de Lisboa à PESC.

Os almoços e jantares reservavam sempre brindes e surpresas (e na maioria, alguma fome).

Além dos apontamentos das conferências e das poucas fotografias ficam memórias que se entrelaçam. A vontade de assimilar tudo, as questões que ficam no ar...

O Senhor que servia o café com o qual nós falávamos em francês e respondia em português (um emigrado de há muitos anos), os longos corredores, a sensação de estar num centro comercial, uma torre de Babel onde se falam 22 línguas, entre pessoas muito e pouco experiêntes.

O adesivo vermelho que servia de passe de almoço onde a palestra saiu completamente furada.

A vontade de gritar e pular: EU ESTOU AQUI E ESTOU A ADORAR!!

Ao fim da tarde: praça do Luxemburgo, somos introduzidos a que nacionalidade se reúne em cada bar, e ao estilo do happy hour italiano, bebemos a nossa cerveja fresquinha, mas não tanto como o tempo lá fora.

No entorno bandeiras e prédios de cristal.

Deja vú? Jamais


Há turbulência, o tempo escasseia, descemos abaixo e acima.

Primeira reunião - fome de um almoço não realizado. Um cappucino amargo.

Apesar do frio de Bruxelas sentimos o calor dos nossos anfitriões portugueses que em estilo informal partilham a sua experiência - um dia também eles estiveram no meu lugar.


O jantar é no hotel, junta-mo-nos a um grupo acabado de chegar de Oxford e cujos professores sempre se lembram de um belo episódio para contar (- chega de brindes, deixem-nos comer os espargos crus!)

Brinde após brinde, aplauso após aplauso tiramos o "fato de gala" e vamos a uma cerveja!


Cada viagem é uma viagem e há um sabor a novidade! Uma doce emoção