Wednesday, October 31, 2007

Aventura até Sarajevo!


Como já tinha relatado a viagem para Sarajevo foi iniciado pelo fim da tarda e chegamos aos primeiros raios de sol.
Partimos com apenas uma informação no bolso: foi nesta cidade que se deu o assassinato de Francisco Ferdinando, o que despoletou a Primeira Guerra Mundial. Criamos pisar este local!
Quando entramos no autocarro o choque foi quase como o da viagem até Zagreb, mas aqui acreditava que ninguém falava italiano, muito menos inglês. À parte de uma senhora muito bem vestida que seguia num dos lugares da frente eu parecia ser uma ave rara num universo masculino.
Para descontrair o ambiente começamos na brincadeira, a falar alto e acabamos sempre por meter umas palavras em inglês, o que logo no inicio da viagem despertou o meu companheiro do lado (nós seguíamos frente a frente em lugares para quatro).
Em inglês perguntou-nos logo que língua exótica falávamos. Não me recordo se falava bem ou não, naquele momento só queríamos alguém com quem comunicar e que nos traduzisse as indicações em servo-croata cujo nosso entendimento se resumia à palavra "passport"! Ele era jovem, alto e bem constituído, um sorriso estranho...., fisicamente, em qualquer outro contexto teria dito que era britânico, nunca bósnio.
Durante esta infindável viagem em que o frio e o sono apertavam não pude pregar olho por um minuto, o nosso amigo dava-nos indicações sobre aquela que é uma das mais importantes dos Balcãs, fundada em 1461 pelos otomanos, tem uma rica história da qual nos debruçamos sobre os factos mais recentes: a guerra na Iugoslávia que deixou um rasto de destruição na cidade o qual ainda era bastante visível.
À história aliou-se a geografia e ficamos surpreendidos ao ver o nosso companheiro desenhar o mapa de Portugal por cima do da Iugoslávia para demonstrar que todos juntas ainda eram um pequeno país!
A cidade está construída no vale de Sarajevo, uma pequena depressão 500 metros acima do nível do mar. Foi a altitude que provocou a descida das temperaturas que fazia bater o dente.
Segui o resto do caminho embrulhada no casaco no nosso novo companheiro, que na primeira paragem se ofereceu para nos pagar qualquer coisa visto que não tínhamos dinheiro (na verdade, nós não tínhamos dinars, mas na Bósnia é fácil que aceitem euros para grandes importâncias e como estávamos perto da fronteira, kunas).
Embora boa parte da cidade propriamente dita seja relativamente plana, as partes mais a leste e da periferia apresentam algum relevo. A zona da cidade antiga é bem conhecida pelas suas ruas íngremes.
O rio Miljacka atravessa a cidade de leste para oeste e é um dos ícones geográficos da cidade.
Sarajevo está rodeada por cinco montanhas. Estas fazem parte da cadeia dos Alpes Dináricos.
À chegado procurávamos quarto nos hostels da cidade, completamente lotados quando fomos abordados por um estranho muçulmano que por 30€ nos ofereceu um quarto da sua casa com um terraço com uma vista priveligiada da cidade?

- Hum.... aceitamos?? Mas para onde nos leva ele?

Tuesday, October 30, 2007

"Desde Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, desceu sobre o Continente numa Cortina de Ferro."

No seu famoso discurso no Westminster College, em 5 de Março de 1946, e depois em Fulton, em 16 de Março, Sir Wiston Churchill alertou o Ocidente, afirmando: "Desde Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, desceu sobre o Continente numa Cortina de Ferro. Para além dessa linha ficam todas as capitais da Europa do Centro e do Leste: Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia. Todas estas cidades famosas e as populações em seu redor estão no que designo por esfera soviética".
Conhecido como o "Discurso da Cortina de Ferro", este conceito ficou consagrado universalmente.
Encontra-mo-nos agora num mundo bipolar, e Trieste é a fronteira entre estes dois mundos, ou melhor, esferas de influência.
Foi esta posição fronteiriça que me levou a escolher Trieste como destino, de fronteira aberta desde a entrada da Eslovénia em 2004 para a U.E., encontrei ainda dois mundos.
Diversas vezes atravessei esta fronteira e são essas experiências que passarei a relatar com maior pormenor.
Segue então: Aventura até Sarajevo!

Sunday, October 21, 2007

Território Livre de Trieste

Ou Estado Livre de Trieste, isto é Territorio libero di Trieste, (em esloveno - Svobodno tržaško ozemlje, em croata - Slobodni teritorij Trsta, e em alemão - Freies Territorium Triest).
Calma, não estou a falar de nenhum estado novo algures no mundo... Refiro-me a um Estado europeu independente, no centro da Europa......
Tal existiu de 10 de Fevereiro de 1947 e 5 de Outubro de 1954.
Neste Estado habitavam em 738 km² 333.556 pessoas, das quais 266.311 italianos, 48.714 eslovenos e croatas e 18.531 de outras nacionalidades.
Obviamente estou a falar da hoje cidade italiana, Trieste.
Neste tempo (tal como a Europa) a cidade era dividida em duas zonas: a zona A , administrada pelo Governo Militar Aliado - forças britânicas e americanas (AMG-FTT), e a zona B administrada pelo Governo Militar Jugoslavo (STT-VUJA).
De relembrar que as forças americanas e encontravam instaladas no lindíssimo Castelo de Miramare cujas fotos podem encontrar em posts anteriores.
Território Livre de Trieste foi fruto de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, no final da 2ª Guerra Mundial e depois do episódio apelidado os 40 dias de Trieste.
O Território nunca funcionou como um estado realmente independente. Haveria um governador neutro (nem italiano, nem esloveno ou croata e nem triestino, visto que seria uma nacionalidade na época), nomeado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Neste processo de escolha do governador, os nomes propostos foram sistematicamente vetados ou pelos Aliados ou pelos russos.
Com o agravar da guerra fria o conselho de Segurança não podia continuar a perder tempo com os problemas triestinos e a zona A foi entregue para gestão da Itália e a B à Jugoslávia (actuais territórios da Eslovénia e da Croácia).

Thursday, October 18, 2007

Até lá

"Não chore pelas coisas terem terminado,
sorria por elas terem existido"

( L.E.Boudakian)
Cada viagem, cada aventura vivida faz-me sorrir, dar gargalhadas....
isso é uma riqueza que transporto comigo!
Para o mês que vem, há mais!

Saturday, October 13, 2007

Pesadelo na A5 - MILAGRE

Esta viagem não deveria durar mais de 25 minutos.
Não é uma viagem que necessite de ser planeada, aliás estava a tornar-se numa rotina das quartas-feiras à tarde.
Na minha mala pessoal ao meu lado levava objectos de uso diário como agenda, MP3, telemóvel e os apontamentos para a aula.
Mas eis que algo acontece...
Guinada para a direita, tento equilibrar para a esquerda, mas era tarde de mais.
Entrei nessa montanha russa de ruídos e cores, explosão de adrenalina, corpo que balança e chocalha a diferentes ritmos.
O percurso é elíptico.
À minha frente vidros partidos, rides.....
Segundos intermináveis.
ESTOU VIVA
Recomeça tudo outra vez, elipses, cores, ruídos, travões volta tudo a parar.
Tiro o cinto, tento abrir a porta, uma, duas, à terceira cede mas o meu corpo não respondia às minhas tentativas de correr dali.
Não se mexa. Sente-se bem?
Vamos chamar o 112, tenha calma.
As vozes misturam-se, mas não consigo ver ninguém. Um bombeiro que ia de passagem mantém-me o pescoço até à chegada do INEM.
Frio, falta de ar, dores, muitas dores, confusão.
Sou salva por um jovem bombeiro que me protege nos frios corredores de hospital.
É milagre, não tenho nem um corte na face apesar das minhas roupas estarem cobertas de vidros.
É milagre sou a única sobrevivente de um acidente comigo mesma.
É milagre de uma massa de metal comprimido existe um pequeno vácuo. Ali, estava eu!
Não tenho carro ou telemóvel, mas tenho vida!
Agora resta-me correr com o que tenho e recuperar o que perdi, afinal tenho saúde e as energias vão voltar em breve.
DESEJO: Usem sempre o cinto de segurança! Ele salvou-me a vida.
Stella

Tuesday, October 9, 2007

Viagens no meu país

Hoje os meus amigos fizeram com que voltasse a ver a Beleza de Lisboa!
Thanks Franz and Marisa.

Friday, October 5, 2007

A ocupação nazi e o fim da guerra

"No período que vai do armistício (8 de Setembro de 1943) ao imediato pós-guerra, Trieste foi o centro de uma série de vinganças que marcaram profundamente a história da cidade e da região circundante e suscitam ainda hoje acesos debates. Durante a ocupação nazi a Risiera di San Sabba- hoje Monumento Nacional - foi destinada a campo de prisioneiros e de passagem para os deportados para a Alemanha e Polónia e a campo de detenção e eliminação de partigianos italianos e eslavos, detidos políticos e judeus.
A Risiera foi único campo de concentração na Itália e na Europa Meridional, munido de forno crematório, posto em funcionamento em 4 de Abril de 1944.
Era triestina a primeira mensageira partigiana* da Itália deportada a Auschwitz (Ondina Peteani).
Em 30 de Abril de 1945 insurgiu-se o Comité de Libertação Nacional CLN de Trieste, apenas um dia antes da chegada das forças jugoslavas. As tropas alemãs resistiram até a tarde de 2 de maio, rendendo-se somente quando chegaram à cidade os primeiros soldados neozelandeses. O exército jugoslavo manteve o controle de Trieste até o dia 12 de Junho (os quarenta dias de Trieste), durante os quais ocorreram execuções sumárias e infoibamentos no Carso triestino. Posteriormente os aliados assumiram o controle da cidade."
* a expressão partigiano em italiano significa combatente armado pertencente a um movimento de resistência, uma espécie de guerrilheiro diria eu. O uso desta expressão faz-me imediatamente recordar uma canção italiana que ajuda a imaginar a situação que se viveria nesta época em Trieste e também em toda a Itália. Para ajudar fica aqui o link, não só com a canção mas também com contexto e tradução! http://pt.wikipedia.org/wiki/Bella_ciao
Claro que isto pode ser relatado com mais pormenores, o que não deixarei de fazer na próxima oportunidade. Aqui fica apenas um resumo daquela que foi uma das piores épocas (se não a pior) da história triestina. Uma coisa é certa, se os aliados não tivessem chegado, Trieste hoje não seria uma cidade italiana porque lá não haveria italianos.
Ainda hoje, sobretudo os mais velhos, muitos triestinos nunca atravessaram a fronteira! A Eslovénia fica apenas a 10 minutos e desde 2004 que se faz a travessia apenas acenando ao longe ao "Sr. guarda". Contudo, a história criou fronteiras e distâncias entre os dois povos que serão difíceis de apagar.
Surgem novos projectos!

Wednesday, October 3, 2007

A minha pequena cidade: Trieste

Cidade de fronteira, a cidade do discurso de Churchill, cidade do meu coração!
Trieste, em esloveno Trst, em alemão Triest, em húngaro Trieszt é uma cidade do nordeste da Itália. Com cerca de 209.520 habitantes, estende-se por uma área de 84,49 km2 o que é mais do que Lisboa! No entanto para mim sempre me pareceu uma pequena cidade onde qualquer distância poderia ser percorrida caminhando. Porquê? Mistério! Talvez pela quantidade de montanhas (carso triestino), por onde não me aventurava regularmente....
Colónia romana depois sob poder bizantino, no século XII Trieste tornou-se uma cidade livre e depois de séculos de batalhas contra a rival Veneza, Trieste pôs-se sob a protecção do duque de Áustria (1382) conservando porém uma certa autonomia até o século XVII.
Trieste tornou-se o porto franco da Áustria enquanto que Fiume (agora Rijeka na Croácia) era o porto Húngaro, isto no tempo do Império Austro-húngaro, claro. Esta era também a oportunidade de Trieste de brilhar, pois sob o domínio italiano teria de competir com Veneza pelo posto de porto franco.
Contudo, é de realçar que Trieste manteve elos culturais e linguísticos com a Itália; de facto, embora a língua oficial da burocracia era o alemão, o italiano (ou melhor o muitas vezes incompreensível dialecto triestino), que no decurso do século XVIII substituiu o antigo dialecto friulano (ainda pior que o triestino).
Em Trieste e Trento nasceu mais tarde o movimento que procurava a anexação à Itália de todas aquelas terras habitadas há séculos por populações de cultura italiana (ou taliana em triestino). Tal vem a acontecer em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial.
Trieste e toda a província foram anexadas à Itália com grande alegria, ainda que, de segunda cidade e porto mais importante de um império se torna-se uma de muitas cidades italianas, eu diria até uma das menos conhecidas (prova disso será o facto de ser a mais envelhecida).
Infelizmente a anexação de Trieste e outros territórios como a Ístria e a Dalmazia pela Itália suscitou problemas levados ao extremo durante a segunda guerra mundial....
Afinal parece que a história está apenas para começar.... Só para ter uma ideia, de Trieste partiram os primeiros prisioneiros italianos para Auschwitz.

Monday, October 1, 2007

As aventuras andam aí

Já cheguei!
Quando se pensa que uma viagem chegou ao fim, por vezes as aventuras só estão a começar...
Depois de uma longa e difícil passagem pelo aeroporto de Heathrow onde só me deixavam passar com 1 bagagem de mão (incluindo mala pessoal ou portátil), lá regressei a terras lusas.
No final chegou cá tudo, não desobedeci às regras mas graças a dois anjinhos da guarda e à minha estrela da sorte até tive tratamento VIP.
Vivo o meu regresso recheado de novos desafios.