Friday, October 5, 2007

A ocupação nazi e o fim da guerra

"No período que vai do armistício (8 de Setembro de 1943) ao imediato pós-guerra, Trieste foi o centro de uma série de vinganças que marcaram profundamente a história da cidade e da região circundante e suscitam ainda hoje acesos debates. Durante a ocupação nazi a Risiera di San Sabba- hoje Monumento Nacional - foi destinada a campo de prisioneiros e de passagem para os deportados para a Alemanha e Polónia e a campo de detenção e eliminação de partigianos italianos e eslavos, detidos políticos e judeus.
A Risiera foi único campo de concentração na Itália e na Europa Meridional, munido de forno crematório, posto em funcionamento em 4 de Abril de 1944.
Era triestina a primeira mensageira partigiana* da Itália deportada a Auschwitz (Ondina Peteani).
Em 30 de Abril de 1945 insurgiu-se o Comité de Libertação Nacional CLN de Trieste, apenas um dia antes da chegada das forças jugoslavas. As tropas alemãs resistiram até a tarde de 2 de maio, rendendo-se somente quando chegaram à cidade os primeiros soldados neozelandeses. O exército jugoslavo manteve o controle de Trieste até o dia 12 de Junho (os quarenta dias de Trieste), durante os quais ocorreram execuções sumárias e infoibamentos no Carso triestino. Posteriormente os aliados assumiram o controle da cidade."
* a expressão partigiano em italiano significa combatente armado pertencente a um movimento de resistência, uma espécie de guerrilheiro diria eu. O uso desta expressão faz-me imediatamente recordar uma canção italiana que ajuda a imaginar a situação que se viveria nesta época em Trieste e também em toda a Itália. Para ajudar fica aqui o link, não só com a canção mas também com contexto e tradução! http://pt.wikipedia.org/wiki/Bella_ciao
Claro que isto pode ser relatado com mais pormenores, o que não deixarei de fazer na próxima oportunidade. Aqui fica apenas um resumo daquela que foi uma das piores épocas (se não a pior) da história triestina. Uma coisa é certa, se os aliados não tivessem chegado, Trieste hoje não seria uma cidade italiana porque lá não haveria italianos.
Ainda hoje, sobretudo os mais velhos, muitos triestinos nunca atravessaram a fronteira! A Eslovénia fica apenas a 10 minutos e desde 2004 que se faz a travessia apenas acenando ao longe ao "Sr. guarda". Contudo, a história criou fronteiras e distâncias entre os dois povos que serão difíceis de apagar.

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