
Desperto pela manhã com a habitual melodia que uns dias me faz virar para outro lado e outros me faz cantar para acordar a voz. Já devia estar habituada ao despertar matinal, ainda assim o acumular de funções e tarefas faz-me sempre desejar reduzir as horas de sono, para ganhar tempo.
É hora de partir, vejo a cidade que desperta e o sol já vai alto. Confesso o privilégio de atravessar a cidade, passar pelos jardins que encantam os turistas, o meu mosteiro imponente que será para sempre meu... O prosseguir até ao terreiro que agora chamam praça,caracterizado pelas pessoas que se atravessam apressadas pela frente.
Uns dias vejo outros apenas olho, embora consciente do pecado que representa deixar que esta beleza me passe ao lado... Mas o mais bonito senhores: é o pôr do sol na imagem daquela ponte, que também ela já mudou de nome, onde o rio platinado e o céu incandescente se fundem.
Bela cidade, sim senhor.
Contudo não sou uma visitante, parto para o local onde novos desafios me esperam a todo o momento. O facto de ser uma das primeiras a chegar dá-me algum avanço, mas entre a agenda das reuniões e os trabalhos para ontem cruzo-me com o mundo.
Não é o mundo das viagens, não é o mundo da competição ao da arrogância, é o mundo daqueles que tratando-me pelo nome me pedem com gentileza um apoio para sua causa.
Diariamente chegam-me relatos sub-humanos mas também gritos de esperança.
Dizer que nada posso fazer perde o sabor amargo quando me respondem que não faz mal, pelo menos respondi, não deixei essa pessoa sem resposta. Enviam-me fotografias e pedem... talvez para o ano...
Acabo por nutrir especial carinho por alguns mas não sou eu que decido apesar das indicações que transmito.
Há mais que fazer, muitos documentos e burocracia se impõem para que algo se faça por estas pessoas...
Olho para o relógio e mais uma vez estou em cima da hora, o DI tem um ritmo que o resto dos departamentos tem dificuldade em acompanhar...
Por hoje acabou aqui....
este mundo!
É hora de partir e iniciar o meu dia tardio, daquele da vida de morcego, novos desafios se avizinham. A semana tranquila ou os tempos livres previstos são me roubados. Tiram-me a quarta-feira e dizem que terei de falar 10 minutos sobre aquele tema. Mas.... não há mas nem meio mas, ou fazes assim ou estás fora do jogo!
Reconheço alguns meios sorrisos de compaixão, pela jovem, pela única senhora no meio do grupo.
EU CONSIGO grito para mim. Convenço-me e sei que serei capaz. Melhor ou pior que os outros, faço o mesmo que eles, mas de SALTOS ALTOS!
1 comment:
Este é o meu texto preferido.
Há momentos em que sinto que fui eu quem o escrevi... Porque o sentir descrito é exactamente o meu sentir sentido e experenciado.
Luminoso!*
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